Mulheres de Itapoá ganham investimento para a produção de peças com couro de peixe

26/04/2016 Categoria: Geral
algumas artesãs da associação1

A Associação de Curtidores Artesanais de Pele de Peixe é formada por mulheres e obteve recursos do Fundo Socioambiental Casa com o auxílio do Programa de Educação Ambiental vinculado ao Porto Itapoá.

Em três dias da semana, elas se organizam para dar conta das tarefas que têm pela frente. Fazem parte da Associação dos Curtidores Artesanais da Pele de Peixe de Itapoá ‐ ACAPPI, no litoral norte de Santa Catarina. Seus trabalhos consistem em retirar com precisão e curtir a pele com e sem escamas dos peixes trazidos pelos pescadores. Matéria-prima utilizada para a confecção de peças artesanais como objetos decorativos, chaveiros, brincos, bolsas, sapatos, roupas, entre outros. Fazem isso há anos, mas, em 2016, ganharam uma boa ajuda financeira para aprimorar a produção.
Com o Projeto “Apelo da Pele”, as “curtidoras” conseguiram R$ 30.000,00 de um edital do Fundo Socioambiental CASA, em parceria com o Fundo Socioambiental CAIXA, da Caixa Econômica Federal, que visa o fortalecimento de comunidades na busca pela sustentabilidade, no Brasil e na América do Sul. O dinheiro está sendo revertido em máquinas e equipamentos que qualificam e agilizam os trabalhos realizados com a paixão característica dessas “mulheres da pesca”. Também servirá para valorizar e contribuir com a preservação de atividades complementares à pesca artesanal, uma cultura ainda bastante presente em todo o litoral catarinense.
O projeto foi inscrito no edital pela equipe da empresa Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental Ltda, responsável do Programa de Educação Ambiental – PEA, uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis) no âmbito da licença de operação do Porto Itapoá.
“A proposta do projeto é a de reestruturar a associação dos curtidores de peixe de Itapoá, aprimorando a atividade de curtume, tornando-a um meio de transformação socioambiental, incentivando o empreendedorismo de mulheres para gerar renda digna, autonomia e qualidade de vida”, explica a oceanógrafa Giseli Aguiar de Oliveira, especialista em educação ambiental e coordenadora do PEA.
Uma “mão na roda” para essas mulheres que, semanalmente, transformam a pele do peixe em couro por meio de diversas etapas, tais como: coleta do produto, limpeza da pele, retirada das escamas e gorduras, lavagens, amaciamento e secagem. Ao todo são realizadas nove lavagens com produtos específicos em cada etapa, para curtir a pele. De forma manual, a cada lavagem as peles devem ser batidas em baldes com auxílio de grandes colheres de madeira, durante cerca de 30 até 60 minutos pelas artesãs, o que requer muito esforço e tempo.
“A aquisição do equipamento conhecido como fulão, permitirá que as lavagens passem a ser realizadas com o auxílio de um equipamento específico, facilitando e acelerando todas as etapas de lavagens. Da mesma forma, a obtenção do amaciador de couro facilitará o trabalho de esticar os couros que, atualmente, é feito com auxílio de pregos e martelo, exigindo intensa dedicação das mulheres”, explica Giseli.

Sobre a Associação

A Associação dos Curtidores Artesanais da Pele de Peixe de Itapoá ‐ ACAPPI foi fundada em 2011, por meio de uma proposição da Igreja Metodista de Itapoá, doadora dos equipamentos até hoje em uso pelas curtidoras. Essa parceria encerrou-se em 2013, mas importantes resultados foram obtidos nos últimos quase cinco anos, ainda que os lucros de 2014 e 2015 com a venda de artesanatos e peças com pele de peixes tenham sido baixos – R$ 2.000 e R$ 1.600, respectivamente.
A ACAPPI teve assessoria do Consulado da Mulher de Joinville, uma instituição representante da economia solidária no litoral norte do Estado, participou de uma série de oficinas integradas sobre empreendedorismo do Sebrae Santa Catarina e mantém parceria com Departamento de Design da Univille (Universidade da Região de Joinville), vinculado à economia solidária.
Também instituiu uma parceria com a Associação Comunitária do Pontal e da Figueira para realizar a comercialização das peças durante as Feiras de Artesanato do Farol e ainda esteve vinculada ao IFSC ‐ Instituto Federal de Santa Catarina, Câmpus Itajaí.
Lá ministrou, em 2015, um treinamento para os professores aprenderem a técnica de curtimento da pele de peixe e, assim, multiplicar a técnica para outras comunidades costeiras do Estado. Isso tornou a ACAPPI um centro de referência da técnica de curtimento da pele de peixe de água salgada, pela experiência de quase cinco anos de atuação.
A ACAPPI conta também com o apoio e parceria do Programa de Educação Ambiental – PEA do Porto Itapoá. Foi por meio do PEA que o projeto “Apelo da Pele” foi estruturado e submetido ao edital do Fundo CASA. Assim, com o investimento de R$ 30.000,00 garantido para 2016, a meta é subir de 12 para 30 o número de famílias envolvidas no processamento da pele de peixe, com a aquisição de novos equipamentos e a organização de cursos de capacitação para aprimorar a gestão da instituição e a qualidade dos produtos.
“Estamos muito felizes, agradecidas, com esta oportunidade, com esta nova fase do nosso trabalho, vamos aumentar a produção e gerar mais renda para as mulheres da comunidade.” Comenta a presidente da ACAPPI, Maria Alzira Coneglian Vianna.

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Peles tingidas postas para secar

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Trabalho é feito em grande parte ao ar livre

Parceria Fundo CASA, Fundo CAIXA e Fundação OAK

Criado em 2005, o Fundo Socioambiental CASA (Fundo CASA) é uma organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de mobilizar recursos no Brasil e no exterior para ampliar a atuação das organizações da sociedade civil que lidam com os desafios da sustentabilidade ambiental e social como parte dos processos de erradicação da pobreza, fortalecimento da democracia, promoção da justiça, da dignidade e da qualidade de vida no Brasil e na América do Sul.

O FUNDO CASA financia pequenos projetos de entidades socioambientais para ampliar sua capacidade de negociação e o desenvolvimento institucional. Assim, busca criar condições para que pessoas e grupos se fortaleçam e consigam melhores resultados nas suas ações, visando à sustentabilidade socioambiental no território sul-americano.

O Fundo Socioambiental CAIXA (FSA CAIXA), lançado pela Caixa Econômica Federal em 2010 é um fundo constituído por recursos correspondentes a até 2% do lucro líquido da Empresa e que visa apoiar financeiramente projetos de caráter social e ambiental, cujo objetivo é consolidar e ampliar a atuação da CAIXA no incentivo a ações que promovam o desenvolvimento sustentável.

O apoio do FSA CAIXA destina-se a ações socioambientais promotoras da cidadania, principalmente nas áreas de habitação de interesse social, saneamento ambiental, gestão ambiental, geração de trabalho e renda, saúde, educação, desportos, cultura, justiça, alimentação, desenvolvimento institucional, desenvolvimento rural, entre outras vinculadas ao desenvolvimento sustentável, com foco prioritário na população de baixa renda.

A Fundação OAK é um grupo de organizações filantrópicas que, desde a sua criação em 1983, realizou mais de 3.000 doações para organizações sem fins lucrativos organizações ao redor do mundo. Tem como missão aplicar seus recursos para tratar de questões de interesse social e meio ambiente, beneficiando, em particular aqueles que têm um grande impacto sobre a vida dos menos favorecidos.

O Fundo CASA tem o objetivo de promover o fortalecimento das organizações e movimentos de base nas cidades e em zonas rurais do Brasil, por meio do apoio a projetos de comunidades de base com valor de até R$ 30.000,00 cada, pelo período de um ano. A parceria com o Fundo CASA possibilitará ao FSA CAIXA direcionar seus recursos a um maior número de comunidades, dado o complexo sistema de redes e de relações que o Fundo CASA detém, o qual favorece o alcance de atores sociais que, desprovidos de recursos, estão impossibilitados de se organizar em prol de um objetivo comum.